17/12/2019

DA SUPERFICIALIDADE DAS RELAÇÕES


Fazia algum tempo que não se encontravam.

Ela tirou a blusa, ficou só de sutiã e saia. Depois descalçou os sapatos, tão lentamente que ele quase se ajoelhou para arrancá-los. Tinha um anel (de prata, com motivos tribais) no dedo médio do pé esquerdo.

– Que merda é essa?
– Um anel, nunca viu?
– Assim, no pé, só em papagaio.
– Eu não acredito que tu nunca viu, tá se usando direto.
– Põe uma meia minha... só o pé esquerdo, eu te empresto.

Ela o olhou fixamente, durante uns trinta segundos, talvez menos. Calçou de volta os sapatos, no mesmo ritmo com que os havia tirado. Vestiu a blusa, ajeitou o cabelo, puxou um cigarro da bolsa.

Ele abriu a porta, de súbito, apontando o corredor do prédio com um movimento de cabeça.

– Fuma lá fora, me faz o favor.



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